Vista aérea de garçom servindo à beira da piscina de um hotel
Resposta curta

Revogue os acessos quando o trabalho termina: na saída planejada, no horário combinado com o RH; na demissão imediata, durante a conversa; com suspeita de uso indevido, na hora, pelo processo de incidente. Desative (sem apagar) o usuário do PMS, bloqueie o e-mail e encerre as sessões, remova a pessoa das extranets das OTAs, do banco e do adquirente, retome o controle do WhatsApp do hotel, troque as senhas compartilhadas que ela conhecia, cancele o cartão mestre e confirme que as fechaduras receberam o cancelamento, desative VPN e acesso remoto, transfira a administração de redes sociais e do site, desative POS e ERP, recolha os equipamentos e registre quem revogou cada acesso.

Quando um recepcionista ou um gerente sai, a lista de acessos raramente está em um só lugar. A pessoa tinha usuário no PMS, nas extranets das OTAs e no portal do banco, conhecia a senha do cofre e do roteador, e talvez o WhatsApp do hotel rodasse no celular dela. Os 12 itens abaixo estão organizados por sistema e tipo de acesso.

Antes da saída: saiba quem tem acesso a quê

A hora de revogar depende do tipo de saída. Na saída planejada, o acesso termina quando o trabalho termina, no horário combinado. Na demissão imediata, a revogação acontece junto com a conversa. Com suspeita de uso indevido, a contenção vem primeiro, pelo processo de incidente, mesmo que a conversa ainda não tenha acontecido.

Nada disso funciona se o hotel não sabe, antes, a que cada pessoa tem acesso. Isso exige duas medidas. A primeira é uma matriz de acessos por cargo: que sistemas as equipes de recepção, reservas, financeiro e governança usam, e com que perfil. A segunda são contas nominais, uma por pessoa. Uma conta genérica como "recepcao1", usada por cinco pessoas, não pode ser desativada quando uma delas sai; só dá para trocar a senha e avisar as outras quatro.

Os 12 acessos para revogar

1. Usuário do PMS

Desative o usuário na saída, sem apagá-lo. Em muitos PMS, excluir o usuário pode comprometer a identificação de quem realizou cada lançamento, desconto ou estorno, e esse histórico é o que o hotel consulta se aparecer uma divergência no caixa semanas depois. Uma exclusão posterior depende de como o sistema trata os registros de auditoria e do prazo de guarda definido pelo hotel. Se a pessoa conhecia a senha de um perfil compartilhado, como o do auditor noturno, troque também.

2. E-mail

Bloqueie o login e encerre as sessões abertas no celular e no navegador: trocar a senha nem sempre derruba uma sessão já aberta. Revogue senhas de aplicativo. Confira as regras de encaminhamento automático, porque um encaminhamento para uma conta pessoal continua mandando e-mails de reservas e de fornecedores depois da saída.

Defina quem está autorizado a acessar a caixa, para quê e por quanto tempo; o gestor direto não é automaticamente essa pessoa. Antes de remover a licença ou excluir a conta, preserve ou transfira e-mails, arquivos (OneDrive, Google Drive) e calendários. No Microsoft 365, por exemplo, o conteúdo da caixa fica retido por 30 dias depois da remoção da licença e então é excluído em definitivo. Repasse também as reservas pendentes, os contatos de fornecedores e as aprovações em andamento.

3. Extranets das OTAs e channel manager

Remova o usuário das extranets de cada OTA e do channel manager. Quem tem acesso às extranets muda tarifa, disponibilidade e dados bancários de repasse, conforme o perfil. Se a conta de alguma extranet está no e-mail pessoal da pessoa, transfira a titularidade ou o controle de recuperação para uma conta do hotel antes de remover o acesso. Só trocar o e-mail de login pode não bastar, e um login compartilhado recria o problema da conta genérica.

4. Banco, adquirente e PSP

Retire a pessoa do internet banking, do portal do adquirente e do painel do PSP. Recolha tokens físicos e remova o celular dela como dispositivo autorizado. Se ela aprovava Pix ou pagamentos a fornecedores, defina outro aprovador e revise os favorecidos cadastrados ou alterados nas últimas semanas.

5. WhatsApp Business

Separe três perguntas: de quem é o número, em que aparelho principal a conta está registrada e quais dispositivos estão vinculados. Desconectar o WhatsApp Web e os computadores encerra só os vinculados: quem está com o aparelho principal continua com a conta.

Se o aparelho é do hotel, recolha. Se o chip é do hotel, mas está no celular pessoal do funcionário, o hotel retoma o número, e o celular continua sendo da pessoa: registre a conta em um aparelho do hotel e confirme que ela saiu do anterior. Se o chip é pessoal, o número é do funcionário, e o hotel depende da cooperação dele para mantê-lo; prepare um número do hotel e avise os hóspedes com reserva.

Nos dois casos, confira a verificação em duas etapas e o e-mail de recuperação, combine a transferência das conversas que o hotel precisa guardar e remova o atendente de qualquer plataforma compartilhada de atendimento. Para o futuro, o número do hotel deve ficar em um chip e em um aparelho do hotel.

6. Senhas compartilhadas

Liste as senhas que a pessoa conhecia: Wi-Fi da equipe, cofre, alarme, administração do roteador e do gravador das câmeras. Troque primeiro as senhas administrativas. No Wi-Fi da equipe, o melhor é uma credencial individual, onde o equipamento permite: basta desativar a de quem saiu. Com senha única, quem a conhece continua entrando na rede, inclusive da calçada, então decida a troca pelo risco: o que essa rede alcança e como foi a saída. Separar a rede reduz o alcance, mas não encerra a questão.

7. Cartão mestre e sistema de fechaduras

Recolher o cartão não basta: cancele o cartão seguindo o procedimento do fabricante, para que ele deixe de abrir as portas mesmo que exista uma cópia. Em fechaduras off-line, o cancelamento feito no software pode não chegar sozinho à porta, e varia de sistema para sistema: pode ser preciso atualizar fechadura por fechadura. Confirme que o cancelamento chegou a todas e registre a conclusão. Remover o usuário da pessoa do software das fechaduras é outra tarefa, e as duas precisam ser feitas.

8. Acesso remoto, VPN e MFA

Desative a conta da VPN e das ferramentas de acesso remoto instaladas nos computadores do hotel. Procure contas administrativas cujo segundo fator (MFA) está no celular do funcionário: e-mail do administrador, firewall, painel do domínio. Se o segundo fator de autenticação depende do celular de quem saiu, o hotel pode perder acesso à própria conta. Cadastre os métodos do hotel e retire os da pessoa: e-mail e telefone de recuperação, autenticadores, chaves de acesso (passkeys), códigos de backup, gerenciador de senhas e credenciais de API. Procure também integrações e tarefas agendadas que rodam com a conta dela e passe-as para uma conta de serviço; na saída planejada, faça isso antes, para não parar um processo do hotel.

9. Redes sociais, perfil da empresa no Google e site

Antes de remover a pessoa como administradora, confirme que há outro administrador autorizado pelo hotel em cada conta. Se ela era a única, peça a transferência na conversa de saída. Recuperar uma conta sem administrador pode levar semanas.

10. POS, ponto, ERP e contabilidade

Desative o usuário no POS do restaurante e do bar, no ERP e no portal da contabilidade. No sistema de ponto e no de RH, retire o acesso operacional, como aprovar ou ajustar registros. Se o ex-funcionário ainda precisa ver holerites ou documentos trabalhistas, o RH define esse acesso à parte, limitado aos documentos dele. Troque senhas de supervisor que ela conhecia, como as que autorizam descontos e cancelamentos no POS.

11. Equipamentos e celulares pessoais

Recolha notebook, celular corporativo, tokens e crachá, e registre os itens devolvidos e os que ficaram pendentes. No celular pessoal, siga a regra combinada com o funcionário: remoção seletiva pelo MDM, se ele já estava configurado no aparelho, ou remoção do e-mail e dos aplicativos do hotel junto com a pessoa. Registre se a remoção foi concluída. Ela não apaga arquivos baixados, exportações nem capturas de tela.

12. Registro, fornecedores e contas em nome da pessoa

Anote cada acesso revogado, quem revogou, a data e a hora. Avise os fornecedores que tinham a pessoa como contato autorizado: o fornecedor do PMS, por exemplo, atende pedidos de quem está na lista. E procure domínios, contas de nuvem e assinaturas registrados no CPF ou no e-mail pessoal dela, cuja titularidade ou administração precisa ser transferida para o hotel. Uma pessoa responde pelo fechamento: confere que cada item foi feito e encerra a lista.

Quem faz cada parte

Em um hotel sem TI interna, a revogação se divide entre áreas. Combine antes quem faz o quê e quem fecha a lista. O RH avisa esse grupo com antecedência, em sigilo e com o horário marcado.

Quem fazO que revoga
Gestor da área ou RHEquipamentos, cartão mestre, crachá, aviso aos fornecedores
TI ou fornecedor de suporteE-mail, VPN, acesso remoto, MDM, senhas administrativas
Recepção ou reservas (supervisor)PMS, extranets das OTAs, channel manager, WhatsApp
FinanceiroBanco, adquirente, PSP, ERP, contabilidade
Marketing ou direçãoRedes sociais, perfil da empresa no Google, site

Saída tensa ou demissão por justa causa

Em uma saída com conflito, revogue os acessos durante a conversa de desligamento, e não depois. Combine com o RH o horário e prepare a revogação dos acessos com maior potencial de dano: e-mail, banco, extranets, acesso remoto. Se houver suspeita de que a pessoa copiou dados ou alterou cadastros, bloqueie o acesso sem demora e preserve os registros: não apague contas nem limpe aparelhos antes de avaliar que evidências o hotel precisa guardar. Fale com o advogado do hotel. Se dados pessoais de hóspedes foram copiados e o incidente puder causar risco ou dano relevante aos titulares, ele precisa ser comunicado à ANPD e aos titulares, dentro do prazo. Veja o que fazer nas primeiras 48 horas de um vazamento.

Funcionários temporários e de temporada

Na alta temporada o hotel contrata reforço por semanas, e são esses acessos que mais ficam esquecidos. Crie as contas temporárias com data de expiração, quando o sistema permite, e inclua a revogação no roteiro do último dia de contrato. Uma revisão periódica ajuda a identificar acessos que permaneceram ativos.

Próximos passos

A gestão de TI da HotelTI revisa quem tem acesso a quê, documenta a matriz de acessos e o roteiro de desligamento, e define os padrões de administração que os fornecedores do hotel aplicam. O suporte é em horário comercial. Não revendemos software nem mantemos acordos com fornecedores específicos. Fale com a nossa equipe.

Fontes

  • ANPD, Resolução CD/ANPD nº 15, Regulamento de Comunicação de Incidente de Segurança (abril de 2024), in.gov.br
  • PCI Security Standards Council, PCI DSS v4.0.1, requisito 8.2.5 (revogação imediata do acesso de usuários desligados), pcisecuritystandards.org
  • Center for Internet Security, CIS Controls Assessment Specification, salvaguarda 6.2 (desativação imediata de contas no desligamento e preservação de trilhas de auditoria), readthedocs.io
  • Microsoft, Remove a former employee (ordem de bloqueio, preservação de dados, remoção de licença e exclusão da conta), learn.microsoft.com
  • WhatsApp, About linked devices (aparelho principal e dispositivos vinculados), faq.whatsapp.com

Gestão de TI

Quem tem acesso a quê, documentado, e padrões que os fornecedores aplicam.

Ver serviço
  • Revisão de quem tem acesso a quê
  • Políticas e processos documentados
  • Padrões para o Microsoft 365 ou Google Workspace
  • Coordenação dos fornecedores
É melhor apagar ou desativar o usuário de quem saiu?

Desativar. O usuário desativado não entra mais no sistema, e o histórico do que a pessoa lançou continua ligado ao nome dela. Apagar pode deixar lançamentos, descontos e estornos sem autor identificado. A exclusão pode vir depois, se o sistema mantiver os registros de auditoria, o prazo de guarda permitir e os dados já tiverem sido preservados ou transferidos.

Preciso trocar a senha do Wi-Fi a cada saída?

Da rede de hóspedes, não. Na rede da equipe, o melhor é uma credencial individual, desativada quando a pessoa sai. Com senha única, decida pelo risco: o que a rede alcança e como foi a saída. Se ela dá acesso aos sistemas ou à rede de pagamentos, troque na saída.

E o e-mail e o WhatsApp no celular pessoal do funcionário?

Remova a conta de e-mail por remoção seletiva ou junto com a pessoa, e registre a conclusão. No WhatsApp, desconectar os dispositivos vinculados não tira o acesso de quem está com o aparelho principal. Se o chip é do hotel, retome o número e registre a conta em um aparelho do hotel. Se o chip é pessoal, o hotel depende da cooperação do funcionário para manter o número, então prepare um número do hotel.

Por quanto tempo manter a caixa de e-mail de quem saiu?

É uma decisão do RH e do advogado do hotel, que consideram obrigações trabalhistas, fiscais e a LGPD. Enquanto isso, mantenha a caixa bloqueada para login, com acesso apenas para uma pessoa autorizada, com escopo e prazo definidos. Preserve o conteúdo antes de remover a licença ou excluir a conta.

O seu hotel sabe quem tem acesso a quê?

Fale com a nossa equipe sobre a revisão de acessos e o roteiro de desligamento.